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domingo, 13 outubro 2019 19:22

Tremoço: De veneno se fez alimento

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A génese de algumas novas culturas descritas em detalhe, estão entre os marcos na transformação de uma planta selvagem, em planta comestível. Sengbusch, no Instituto Kaiser Wilhelm de Pesquisa de Reprodução, na pequena cidade de Müncheberg, realizou ainda experiências de seleção e reprodução em outras espécies vegetais, como por exemplo: o centeio, o cânhamo, o espinafre e o aspargo

 

O tremoço é uma leguminosa da mesma família da ervilha e da fava e bastante rico nutricionalmente. possui três vezes mais proteínas e duas vezes mais fósforo do que o leite de vaca, uma quantidade elevada de cálcio, vitaminas E e do complexo B, fósforo, potássio, ácidos gordos insaturados (ómega 3 e 6), ferro e fibras.
Por norma, a sua composição nutricional é de 36 a 52% de proteína, 5 a 20% de gordura; e 30 a 40% de fibra alimentar.

Rico em proteínas, o tremoço na sua versão original, tinha um sabor (ainda) mais amargo devido ao elevado conteúdo de alcalóides; uma substância venenosa. Desde a sua origem, foi sendo efetuada uma selecção por Sengebush, que levou à identificação das espécies com as sementes que contivessem menos alcalóides. Depois de analisar inumeráveis plantas, encontrou três sementes pobres em alcalóides de tremoço-amarelo, duas de tremoço-bravo e uma de tremoço-branco. Os tremoços das plantas obtidas a partir das referidas sementes foram comidos sem dificuldade por animais.

Depois de conseguir este avanço decisivo, tentou eliminar outras características não doseadas do tremoceiro selvagem. Era necessário encontrar plantas cujas vagens não se abrissem e que não desprendessem as sementes. Também se tentaram eliminar as cascas duras e a pilosidade das sementes, assim como a excessiva ramificação das plantas. Estas características prejudicavam a germinação da semente ou a maturação uniforme de todas as sementes. A cultura extensiva não era compatível com a sensibilidade da planta aos solos húmidos e calcários. Também estas desvantagens foram eliminadas.

Quando, finalmente, se conseguiu melhorar a resistência do tremoceiro às doenças e parasitas, conseguiu obter-se, a partir de uma planta com marcado carácter selvagem - apenas em 30 anos -, uma valiosa planta de cultura, sendo hoje o tremoço dono de uma fama invejável, em todo o mundo.

 

SOBRE Reinhold Alexander von Sengbusch

 

Sengbusch, filho do médico Reinhold Alexander von Sengbusch, estudou agricultura na Universidade de Halle tendo doutorado-se. em 1924. com uma dissertação sobre criação de beterraba sacarina. Em 1925, ingressou no departamento de pesquisa da fábrica de açúcar Kleinwanzleben. No ano seguinte, 1926, trabalhou como freelancer no Instituto de Hereditariedade de  Berlim-Dahlem, tendo em 1927, conseguido emprego no recém-criado Instituto Kaiser Wilhelm de Pesquisa de Reprodução.

Entre 1927 e 1929, Sengbusch conseguiu selecionar plantas únicas com baixo alcaloide ou livres de alcalóides algumas espécies, como o tremoço. Os métodos de seleção desenvolvidos por Sengbusch dariam origem à publicação de 1942 "Süßlupinen e tremoços de petróleo". 

A génese de algumas novas culturas descritas em detalhe, estão entre os marcos na transformação de uma planta selvagem, em planta comestível. Sengbusch, no Instituto Kaiser Wilhelm de Pesquisa de Reprodução, na pequena cidade de Müncheberg, realizou ainda experiências de seleção e reprodução em outras espécies vegetais, como por exemplo: o centeio, o cânhamo, o espinafre e o aspargo

 

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