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sexta-feira, 15 outubro 2021 15:25

Consumimos em média duas vezes mais calorias do que o recomendando

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Consumimos em média duas vezes mais calorias do que o recomendando Foto © ON Centro

Os grupos de produtos alimentares com maiores desvios em 2020, face ao consumo recomendado pela Roda dos Alimentos, foram, por excesso, a “carne, pescado e ovos”, mais 11,9 pontos percentuais, contra 11,4 p.p. em 2016, enquanto por defeito foram os “frutos”, menos 4,7 p.p., e os “hortícolas”, menos 8,6 p.p, que compara com -6,5 p.p. e -7,2 p.p. em 2016, segundo BAP 2016-2020, divulgada esta sexta-feira, 15 de outubro.

 

 

 Os portugueses consumiram, em média, duas vezes mais calorias do que o recomendando para um adulto entre 2016 e 2020, ano em que a pandemia provocou uma redução do consumo de alimentos diário, mas ainda excessivo, segundo o INE.

Os grupos de produtos alimentares com maiores desvios em 2020, face ao consumo recomendado pela Roda dos Alimentos, foram, por excesso, a “carne, pescado e ovos”, mais 11,9 pontos percentuais, contra 11,4 p.p. em 2016, enquanto por defeito foram os “frutos”, menos 4,7 p.p., e os “hortícolas”, menos 8,6 p.p, que compara com -6,5 p.p. e -7,2 p.p. em 2016, respetivamente, segundo a Balança Alimentar Portuguesa (BAP) 2016-2020, divulgada esta sexta-feira, 15 de outubro.

A oferta de carne aumentou 8,7% neste período, com cada habitante a consumir diariamente, em média, 229,8 gramas e 83,9 quilos por ano, mais de quatro vezes o total das calorias recomendadas pela Roda dos Alimentos para uma dieta média de 2.000 calorias, refere a BAP, que mede o consumo alimentar do ponto de vista da oferta dos alimentos,

A maior oferta continuou a ser a carne de aves com 38,4%, seguida da carne de suíno (29,1%), embora tenha perdido representatividade (-2,8 p.p.).

A oferta de pescado aumentou 16,3%, e alcançou 62,7 gramas diárias por habitante, e os ovos 16,1%, com uma taxa média de crescimento anual de cerca de 4%. Em média, cada habitante comeu 178 ovos por ano, cerca de meio ovo por dia.

As quantidades diárias disponíveis de frutos por habitante dispararam 27%, mas o consumo médio diário de 278,7 gramas diárias por habitante ainda está aquém das quantidades recomendadas.

 O consumo de hortícolas manteve-se relativamente estável, com cada habitante a consumir em média 285,8 gramas diárias (286,3 gramas em 2012-2015).

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, o consumo de óleos e gorduras continuou a sua trajetória decrescente, reduzindo-se em 2,2%, bem como os açúcares adicionados que totalizaram 83,7 gramas diárias por pessoa, decrescendo 3,2%.

O consumo diário de café, cacau e chocolate tem vindo a subir há mais de dez anos, atingindo, em média, 25,8 gramas diárias por habitante,

Também se registou um aumento das quantidades diárias disponíveis per capita de bebidas alcoólicas, atingindo, em média, 110 litros anuais por habitante, refletindo um aumento de cerca de 14% face a 2012-2015, das quais 47,9 l/hab/ano de vinho e 57,6 de cerveja.

A BAP conclui que “as disponibilidades alimentares para consumo continuam a evidenciar “uma oferta alimentar excessiva e desequilibrada”, alertando que “o aporte calórico diário médio disponível para consumo por habitante neste período foi de 4.075 calorias”, superior às 3.954 calorias registadas em 2012-2015.

Em 2020, reflexo da situação pandémica, o consumo decresceu 3,6% face a 2019, correspondente a 3.990 calorias diárias por habitante, mesmo assim ainda acima dos níveis apurados no período recessivo da economia portuguesa (2011-2013).

Relativamente ao impacto da pandemia na alimentação, o INE aponta o decréscimo quase generalizado das disponibilidades alimentares para consumo: “As exceções foram os ovos e os produtos estimulantes (café e chocolate) que aumentaram consecutivamente ao longo de todo o quinquénio e o açúcar cujas disponibilidades decresceram de forma continuada” neste período.

O período analisado, adianta, foi marcado na sua parte final pela pandemia de covid-19, “com as disponibilidades para consumo da maioria dos grupos alimentares abordados na Balança Alimentar Portuguesa a apresentarem variações negativas em 2020, quando a evolução dessas disponibilidades desde 2016 até ao início da pandemia era positiva e acima das verificadas em 2012-2015”.

 

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