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sexta-feira, 24 julho 2020 09:20

Apicultores da Serra da Lousã registam quebras de 80% na colheita de mel

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A Lousãmel abrange 10 municípios: Arganil, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Lousã, Miranda do Corvo, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penela e Vila Nova de Poiares, nos distritos de Coimbra e Leiria.

 

 

A colheita de mel DOP da Serra da Lousã à base de urze deverá sofrer este ano quebras na ordem de pelo menos 80 por cento, revelam, esta semana, as organizações de produtores.

 

 

Segundo António Agostinho Carvalho, o presidente da Lousãmel – Cooperativa Agrícola dos Apicultores da Lousã e Concelhos Limítrofes (na foto, na Inauguração da 29.ª Feira do Mel e da Castanha da Lousã), as baixas de produção estão "entre 75 e 85%”. Na sua opinião, “não há dúvida nenhuma” de que o maior decréscimo da produção das últimas décadas é uma consequência da instabilidade climatérica verificada na primavera.

Esta quebra resulta da chuva persistente, em maio, em que “a flor da urze ficou muito lavada”, disponibilizando menos néctar e pólen, a que se seguiu “um calor terrível”.

Entretanto, as abelhas tiveram necessidade de consumir algum mel já acumulado e “só na segunda quinzena de junho é que entrou mais algum”, adiantou António Carvalho. Ainda segundo o apicultor, as quebras de produção deverão em geral registar-se em todo o país, embora “dependendo de região para região”.

Além da região demarcada do mel com denominação de origem protegida (DOP) Serra da Lousã, cuja gestão cabe à Lousãmel, com sede na Lousã, esta cooperativa, com 470 associados, tem vindo a alargar a sua intervenção a outras zonas do país.

Nos últimos anos, também a Cooperativa Social e Agro-Florestal de Vila Nova do Ceira, no vizinho município de Góis, tem apostado na apicultura, tanto no apoio à produção, como na formação de sócios e demais interessados.

Domingos Alves, que possui apiários na Serra da Lousã e na Figueira da Foz, bem como no Ribatejo e no Alentejo, é o responsável técnico de um projeto da cooperativa de Vila Nova de Ceira que inclui a apicultura. Também segundo este dirigente associativo “temos quebras de produção de 80% no mínimo” o apicultor, que desenvolve a sua atividade a partir da Castanheira de Pera, onde reside, no distrito de Leiria.

Apesar das baixas produções, o mel da Serra da Lousã, onde um número significativo de produtores opta pela não certificação, deverá este ano cumprir os padrões médios de qualidade, designadamente quanto à composição química, cor, gosto e textura, prevê Domingos Alves.

A urze é a planta arbustiva predominante na montanha, embora sofra atualmente a concorrência de espécies exóticas e invasivas, como o eucalipto e a mimosa, além do flagelo dos fogos que, associados às alterações climáticas, têm vindo a dizimar extensas manchas da floresta autóctone, incluindo castanheiros e carvalhos que contribuem para a qualidade única do mel da região.

Na Pampilhosa da Serra, cujo presidente da Câmara, José Brito, tem ligações à atividade apícola, tendo chegado a presidir à assembleia geral da Lousãmel, foi fundada em 2011 a Pampimel - Cooperativa de Apicultores e Produtores de Medronho. Neste município, as colheitas de mel de urze já começaram e “estão a ser muito fracas”, afirmou o presidente da Pampimel, Luís Estêvão. Dos 75 sócios da cooperativa, alguns “são muito experientes e não se lembram de um ano tão fraco”, adiantou.

A qualidade, no entanto, melhorou, três anos depois dos grandes incêndios de 2017, que devastaram também o concelho da Pampilhosa da Serra. “A produção é francamente má, mas voltámos a ter mel de urze”, já que o coberto vegetal tende a recompor-se dos fogos, explicou.

Luís Estêvão recordou que, no ano passado, “o mel era mais multifloral e claro, com pouca quantidade de urze”, cuja flor concede ao produto a tonalidade escura e o sabor adstringente. Os sócios da Pampimel têm agora produções "pelo menos 70% mais baixas em relação a um ano médio”, de acordo com o mesmo dirigente.

 

A diretora executiva Lousãmel, Ana Paula Sançana (aqui na foto, na apresentação da Feira do Mel e da Castanha da Lousã, em 2019); corrobora este ano que “as perspetivas são altamente dramáticas” para a colheita – a chamada cresta – deste verão, que ainda não começou em vários concelhos.

“Muitos produtores nem sequer vão certificar o mel, pois verifica-se uma autêntica razia”, sublinhou, realçando que as quebras não foram originadas “por défice de maneio ou alimentação”, mas sim pelo clima. “Vão ser necessárias medidas para apoiar estes produtores”, defendeu a dirigente da Cooperativa.

A Lousãmel abrange 10 municípios: Arganil, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Lousã, Miranda do Corvo, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penela e Vila Nova de Poiares, nos distritos de Coimbra e Leiria.

 

 

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