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quarta-feira, 22 setembro 2021 16:57

Dióxido de enxofre do vulcão de La Palma chega sexta-feira à costa mediterrânica

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Dióxido de enxofre do vulcão de La Palma chega sexta-feira à costa mediterrânica Foto: Tempo.com

O dióxido de enxofre é um gás incolor, denso, não inflamável, bastante solúvel na água e é considerado tóxico e prejudicial tanto para a saúde humana como para o meio ambiente.

 

 

Aerupção vulcânica em La Palma, nas Canárias, está a emitir uma elevada quantidade de dióxido de enxofre para a atmosfera, que deverá atingir sexta-feira boa parte do território de Espanha, bem como a costa mediterrânica, alertou hoje fonte oficial.

Segundo o sistema europeu de satélites Copernicus, o gás vai atingir a totalidade de Marrocos, bem como a Tunísia e a costa mediterrânica de Espanha, França, Itália, Argélia e Líbia, como mostra uma foto de satélite partilhada na rede social Twitter.

O dióxido de enxofre é um gás incolor, denso, não inflamável, bastante solúvel na água e é considerado tóxico e prejudicial tanto para a saúde humana como para o meio ambiente.

Na fotografia é visível a previsão da presença de dióxido de enxofre na atmosfera para a manhã da próxima sexta-feira, dia em que serão registados os níveis mais na costa atlântica marroquina e na mediterrânea espanhola, bem como no sul da Sardenha, no norte da Sicília e na costa tunisina. 

Em menor grau, o mapa também destaca a presença dessa substância na metade oriental da Espanha (incluindo cidades mais distantes como Valladolid), sul da França, costa oeste da Itália, ilha francesa da Córsega e toda a costa mediterrânea africana, além de amplas extensões de terra no interior de Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia.

“Além do fluxo de lava, o vulcão está a emitir uma grande quantidade de dióxido de enxofre na nossa atmosfera”, lê-se na mensagem do Copérnico no Twitter.

A União Europeia (UE) ativou segunda-feira o sistema de satélite Copernicus para acompanhar a erupção vulcânica em La Palma e a Comissão Europeia (CE) já está em contacto com as autoridades espanholas para oferecer apoio adicional. 

Os principais dados usados para analisar a evolução no vulcão de La Palma são os fornecidos pelos satélites ‘Sentinel-1’, ‘Sentinel-2’ e ‘Sentinel-5P’, especialmente concebidos para a observação da Terra e para melhorar a prevenção, o monitoramento e a proteção da população e dos recursos em casos de desastres naturais e de emergências.

As informações prestadas pelos satélites são fundamentais para a implementação das ações dos serviços de proteção civil espanhóis. 

O programa espacial Copernicus é uma iniciativa conjunta da UE e da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla inglesa), estando, neste caso, a ser utilizados os serviços de vigilância do território e da atmosfera. 

Os serviços de território dão, periodicamente, informações sobre cartografia, em que os dados obtidos são monitorados para conhecer a deformação da superfície terrestre ou o estado das estradas. 

Já os serviços de atmosfera fornecem informações sobre as emissões produzidas pela erupção, como as de dióxido de enxofre.

Entretanto, o vice-reitor do Instituto Geomineiro da Espanha (IGME), Luis Somoza, citado pela agência noticiosa EFE, sublinhou hoje que a entrada da lava no mar vai provocar uma nuvem vertical “densa e espetacular” de vapor de água, garantindo que, apesar de não ser tóxica, obrigará a aumentar o perímetro de segurança, evacuar as zonas mais afetadas e proibir a navegação.

Somoza considerou a entrada da lava no oceano Atlântico “um fenómeno espetacular” e adiantou que a dimensão da nuvem de vapor vertical dependerá de vários fatores.

De qualquer forma, Somoza assegurou que a nuvem de vapor de água é inofensiva para a saúde, e alertou que as águas da costa oeste de La Palma irão ficar mais turvas uma vez que as cinzas da lava, ao entrarem em contacto com a água do mar, gerarem partículas vítreas que causam “um segmento de pluma” que flutua no mar e reduz a transparência. 

Outra consequência da chegada da lava ao mar, acrescentou o especialista, é o aumento da temperatura da água na área onde corre a lava, um fenómeno que, conforme relatado, afetará o ecossistema marinho da região e, sobretudo, prejudicará a pesca.

Somoza acrescentou, no entanto, que a atividade pesqueira levará “cerca de seis meses” a recuperar, à semelhança do que aconteceu na ilha de El Hierro, a ilha mais meridional das Canárias, quando o vulcão Teneguía entrou em erupção no meio do mar em outubro de 2011 e a pesca foi interrompida.

 

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