Os acessos da Estrada Nacional (EN) 109 às autoestradas A1 e A29 em Estarreja, no distrito de Aveiro, foram hoje cortados por agricultores com mais de 100 tratores e máquinas em protesto por preços justos à produção.
Junto à rotunda da Estrada Nacional (EN) 109 que dá acesso às duas autoestradas, a circulação esteve completamente parada durante algumas horas num dos sentidos de circulação, rumo a Estarreja, e no sentido inverso circulavam mais de 100 tratores em marcha lenta, impedindo o acesso à A1 e à A29.
No local, a Lusa constatou que a GNR tem tentado dissuadir os agricultores de parar as marchas, mas o bloqueio das vias rodoviárias tem sido praticamente efetivo.
Os agricultores presentes nestes acessos aguardam ainda a chegada de mais tratores para se juntarem à marcha lenta.
Os agricultores com mais de 100 tratores e máquinas agrícolas iniciaram cerca das 11:00 uma marcha lenta na Estrada Nacional (EN) 109 em Estarreja, num protesto para exigir preços justos à produção.
Organizado pela União de Agricultores e Baldios do Distrito de Aveiro (UABDA), o protesto surge um dia depois de o Governo ter garantido que a maior parte das medidas do pacote de apoio aos agricultores portugueses, que foi anunciado na quarta-feira, com mais de 400 milhões de euros de dotação, entra em vigor ainda este mês, com exceção das que estão dependentes de 'luz verde' de Bruxelas.
Os protestos dos agricultores portugueses são organizados pelo Movimento Civil de Agricultores, que se juntou às manifestações que têm ocorrido em outros países europeus, incluindo França, Grécia, Itália, Bélgica, Alemanha e Espanha.
A Comissão Europeia vai preparar uma proposta para a redução de encargos administrativos dos agricultores, que será debatida pelos 27 Estados-membros a 26 de fevereiro.
Os agricultores concentrados em Coimbra desde quinta-feira adotaram hoje novas formas de protesto, designadamente buzinões e marcha lenta na Baixa da cidade. Uma das Avenidas principais da cidade, a avenida Fernão de Magalhães está cortada ao trânsito.
“Só saímos daqui quando tivermos uma resposta às nossas reivindicações”, disse um dos dinamizadores da manifestação, Carlos Plácido. O agricultor, que tem explorações agrícolas nos concelhos de Coimbra e Montemor-o-Velho, no Baixo Mondego, adiantou que se mantiveram durante a noite na avenida Fernão de Magalhães cerca de 250 tratores e outros veículos.
Fernando Inácio, outro agricultor do Baixo Mondego e que produz couves queixa-se das margens de revenda: "Vendo a couve a 60 cêntimos o quilograma e encontro-as à venda a três euros. Se as vendesse a três euros, eu estaria rico"; disse.
Às 08h00, os manifestantes efetuaram um buzinão e prometeram repetir de hora a hora o mesmo ruído de protesto.

A circulação naquela avenida está cortada entre a rotunda da rodoviária e a rotunda da Cindazunda nos dois sentidos, sendo apenas possível a circulação para veículos de emergência e de socorro.
Estes agricultores entregaram na quinta-feira um caderno reivindicativo na Direção-Geral de Agricultura e Pescas, mas ainda não receberam resposta.
A maior parte das medidas do pacote de apoio aos agricultores portugueses, que foi anunciado na quarta-feira, com mais de 400 milhões de euros de dotação, entra em vigor ainda este mês, anunciou na quinta-feira o Governo.

Vários manifestantes que na quinta-feira estiveram por todo o país acabaram por desmobilizar ao início da noite, depois de se terem concentrado de madrugada, mas em Coimbra e em outros locais ainda se mantêm os protestos.
Segundo um comunicado divulgado na quarta-feira, os agricultores reclamam o direito à alimentação adequada, condições justas e a valorização da atividade.
Mais de 200 tratores e máquinas agrícolas provenientes do Baixo Mondego entraram na cidade de Coimbra às 14:00, num protesto de agricultores com concentração junto à Direção Regional de Agricultura e Pescas.
Os manifestantes percorreram desde as 10:30, em marcha lenta, a Estrada Nacional (EN) 111 em direção à avenida Fernão Magalhães, na Baixa de Coimbra.
Sob muitas buzinadelas, as viaturas chegaram à baixa de Coimbra, onde a PSP já tinha reservado uma área para estacionamento, que não deverá ser suficiente face à quantidade de tratores e máquinas agrícolas.

“A razão da inflação não está na produção”, é uma das principais frases dos agricultores, que se queixam de várias situações.
A manifestação, aparentemente espontânea e não integrada na programação do protesto do Movimento Civil Agricultores de Portugal, que hoje decorre em vários pontos do país, partiu de um grupo de produtores agrícolas do Baixo Mondego, que se concentraram em Montemor-o-Velho, a cerca de 25 quilómetros de Coimbra.
O protesto decorre um dia depois de o Governo ter anunciado um pacote de mais de 400 milhões de euros, destinado a mitigar o impacto provocado pela seca e a reforçar o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC).

Segundo um comunicado divulgado na quarta-feira, os agricultores reclamam o direito à alimentação adequada, condições justas e a valorização da atividade.
O movimento, que se apresenta como espontâneo e apartidário, garantiu que os agricultores portugueses estão preparados para “se defenderem do ataque permanente à sustentabilidade, à soberania alimentar e à vida rural”.
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