Os agricultores do Baixo Mondego concentrados em Coimbra desde quinta-feira começaram a desmobilizar do protesto pelas 17:00, depois de se reunirem por videoconferência com a ministra da Agricultura e agendarem um encontro na próxima semana na região.
Uma delegação de seis agricultores, em representação dos manifestantes, participou na tarde desta sexta-feira, 2 de fevereiro, numa reunião por videoconferência, que se prolongou por mais de duas horas e meia, com a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, que se comprometeu com o avanço da construção da barragem de Girabolhos em Seia (distrito da Guarda).
A governante também acedeu a discutir no terreno questões específicas como as culturas do milho e do arroz no Baixo Mondego, aquando da sua deslocação à região, na próxima semana, em dia a anunciar.
João Grilo, porta-voz do movimento de agricultores e que participou na reunião, disse que, segundo a ministra, Portugal, tal como França, também pretende a revisão do acordo da União Europeia com o Mercosul, questão que faz igualmente parte do caderno reivindicativo dos agricultores.
Antes de começarem a abandonar a avenida Fernão de Magalhães, na Baixa de Coimbra, onde se concentraram, as cerca de duas centenas de manifestantes aplaudiram a atuação das forças de segurança (PSP e GNR) durante o protesto.
Os agricultores concentrados em Coimbra desde quinta-feira adotaram hoje novas formas de protesto, designadamente buzinões e marcha lenta na Baixa da cidade. Uma das Avenidas principais da cidade, a avenida Fernão de Magalhães está cortada ao trânsito.
“Só saímos daqui quando tivermos uma resposta às nossas reivindicações”, disse um dos dinamizadores da manifestação, Carlos Plácido. O agricultor, que tem explorações agrícolas nos concelhos de Coimbra e Montemor-o-Velho, no Baixo Mondego, adiantou que se mantiveram durante a noite na avenida Fernão de Magalhães cerca de 250 tratores e outros veículos.
Fernando Inácio, outro agricultor do Baixo Mondego e que produz couves queixa-se das margens de revenda: "Vendo a couve a 60 cêntimos o quilograma e encontro-as à venda a três euros. Se as vendesse a três euros, eu estaria rico"; disse.
Às 08h00, os manifestantes efetuaram um buzinão e prometeram repetir de hora a hora o mesmo ruído de protesto.

A circulação naquela avenida está cortada entre a rotunda da rodoviária e a rotunda da Cindazunda nos dois sentidos, sendo apenas possível a circulação para veículos de emergência e de socorro.
Estes agricultores entregaram na quinta-feira um caderno reivindicativo na Direção-Geral de Agricultura e Pescas, mas ainda não receberam resposta.
A maior parte das medidas do pacote de apoio aos agricultores portugueses, que foi anunciado na quarta-feira, com mais de 400 milhões de euros de dotação, entra em vigor ainda este mês, anunciou na quinta-feira o Governo.

Vários manifestantes que na quinta-feira estiveram por todo o país acabaram por desmobilizar ao início da noite, depois de se terem concentrado de madrugada, mas em Coimbra e em outros locais ainda se mantêm os protestos.
Segundo um comunicado divulgado na quarta-feira, os agricultores reclamam o direito à alimentação adequada, condições justas e a valorização da atividade.
Mais de 200 tratores e máquinas agrícolas provenientes do Baixo Mondego entraram na cidade de Coimbra às 14:00, num protesto de agricultores com concentração junto à Direção Regional de Agricultura e Pescas.
Os manifestantes percorreram desde as 10:30, em marcha lenta, a Estrada Nacional (EN) 111 em direção à avenida Fernão Magalhães, na Baixa de Coimbra.
Sob muitas buzinadelas, as viaturas chegaram à baixa de Coimbra, onde a PSP já tinha reservado uma área para estacionamento, que não deverá ser suficiente face à quantidade de tratores e máquinas agrícolas.

“A razão da inflação não está na produção”, é uma das principais frases dos agricultores, que se queixam de várias situações.
A manifestação, aparentemente espontânea e não integrada na programação do protesto do Movimento Civil Agricultores de Portugal, que hoje decorre em vários pontos do país, partiu de um grupo de produtores agrícolas do Baixo Mondego, que se concentraram em Montemor-o-Velho, a cerca de 25 quilómetros de Coimbra.
O protesto decorre um dia depois de o Governo ter anunciado um pacote de mais de 400 milhões de euros, destinado a mitigar o impacto provocado pela seca e a reforçar o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC).

Segundo um comunicado divulgado na quarta-feira, os agricultores reclamam o direito à alimentação adequada, condições justas e a valorização da atividade.
O movimento, que se apresenta como espontâneo e apartidário, garantiu que os agricultores portugueses estão preparados para “se defenderem do ataque permanente à sustentabilidade, à soberania alimentar e à vida rural”.
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