As Câmaras da Lousã e de Miranda do Corvo manifestaram hoje discordância com o arranque da operação preliminar do autocarro elétrico articulado na cidade de Coimbra, de forma gratuita, no âmbito do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM).
Numa tomada de posição individual, mas idêntica, estes dois municípios do distrito de Coimbra abrangidos por aquele sistema de transporte referiram que "a prioridade do Governo (acionista maioritário da Metro Mondego) deveria ser a concretização do projeto - no seu todo e com a máxima urgência – de acordo com o calendário assumido".
De acordo com o calendário anteriormente estabelecido, a ligação entre Serpins (Lousã) e a Portagem (Coimbra), correspondente ao antigo ramal da Lousã, deveria entrar em funcionamento até ao final do ano e o restante ramal urbano na cidade de Coimbra no final de 2026.
O autocarro elétrico articulado, que circula em via dedicada, arrancou hoje a sua operação preliminar entre a Portagem, na Baixa, e Vale das Flores, de forma gratuita, até ser possível assegurar a viagem até Serpins, que se espera que possa arrancar antes do fim do ano.
"Quando tivemos conhecimento da possibilidade de iniciar o serviço em parte do troço Urbano da Cidade de Coimbra manifestámos discordância", salientaram os municípios de Lousã e Miranda do Corvo, defendendo que o "serviço público de transporte tem de entrar em funcionamento, com a máxima brevidade e cumprindo o plano definido".
O SMM, operado pela empresa Metro Mondego, consiste na implementação de um autocarro elétrico, em via dedicada, a operar entre Serpins (Lousã), Miranda do Corvo e Coimbra, numa extensão de 42 quilómetros.
Começou a funcionar a partir de hoje, numa primeira fase limitada a um percurso de cinco quilómetros na cidade de Coimbra, de forma gratuita, entre a Portagem e o Vale das Flores, num percurso de cerca de cinco quilómetros, que abrange 10 estações da cidade.
Ao início da tarde desta sexta-feira, 29 de agosto, as Câmaras Municipais da Lousã e de Miranda do Corvo emitiram um comunicado de igual conteúdo, com uma tomada de posição com seis pontos que publicamos na íntegra:
- - - - - - - - - - - - - - Metro Mondego - Tomada de posição
1. Temos lutado permanentemente e intransigentemente pela conclusão das obras e entrada em funcionamento do serviço de transporte com a máxima urgência possível.
2. Sempre defendemos o projeto como um todo e assumimos a mais-valia da maior amplitude do serviço, nomeadamente permitindo a acessibilidade direta ao Polo da Saúde, em Celas.
3. Entendemos que o serviço público de transporte tem de entrar em funcionamento, com a máxima brevidade e cumprindo o plano definido, designadamente:
b) Serpins - Portagem (último trimestre deste ano)
c) Restante Ramal Urbano da Cidade de Coimbra (final de 2026)
4. Quando tivemos conhecimento da possibilidade de iniciar o serviço em parte do troço Urbano da Cidade de Coimbra manifestámos discordância
5. A nossa discordância fundamenta-se – entre outras – nas razões que expomos no ponto 3.
6. Entendemos que a prioridade do Governo (acionista maioritário da Metro Mondego) deveria ser a concretização do projeto - no seu todo e com a máxima urgência – de acordo com o calendário assumido.
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O percurso de cerca de cinco quilómetros e que abrange dez estações da cidade será gratuito até à abertura do troço até Serpins, no concelho da Lousã, “prevista até ao final do ano”, esclareceu o ministério, sem apontar uma data concreta para o funcionamento do traçado que passa também pelo concelho de Miranda do Corvo.
A entrada em funcionamento surge depois de várias demonstrações gratuitas nos três concelhos abrangidos pelo SMM, promovidas este mês pela Metro Mondego, entidade que assegura o serviço.
De acordo com nota de imprensa também enviada hoje pela Metro Mondego, a operação na sexta-feira inicia-se às 10:00 e prolonga-se até às 18:00.
A partir de sábado e até a exploração comercial plena, a operação no troço urbano entre a Portagem e Vale das Flores vai decorrer diariamente entre as 08:00 e as 20:00, incluindo aos fins de semana.
As viagens vão decorrer ao mesmo tempo “que se realizam testes em larga escala aos veículos, à infraestrutura, aos sistemas técnicos, à gestão da operação e à experiência dos passageiros”, por forma a serem corrigidas “eventuais falhas antes da exploração comercial”, refere a Metro Mondego.
O projeto implicou o fecho do ramal ferroviário da Lousã e conheceu vários atrasos, alterações e suspensões ao longo de mais de 30 anos, tendo sido parado, já depois de terem sido removidos os carris em 2010.
O serviço agora assegurado só abrange cinco dos 42 quilómetros totais da rede, que inclui 42 estações. Segundo o Ministério das Infraestruturas e Habitação, o SMM representa um investimento de 220 milhões de euros.
O SMM tem a expectativa de registar 13 milhões de passageiros por ano e um intervalo entre autocarros de cinco minutos, em período de ponta.
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