Os bilhetes de transporte público para alguns estádios dos Estados Unidos durante o Mundial'2026 podem chegar aos 100 dólares, um valor quase 10 vezes superior ao habitual, que está a gerar uma onda de indignação entre os adeptos
Em Boston, a autoridade local anunciou que o trajeto de ida e volta para o Estádio Foxborough custará 80 dólares (cerca de 67 euros), um valor quase dez vezes superior à tarifa normal de 8,75 dólares.
O cenário repete-se em Nova Jérsia, onde a ligação entre Manhattan e o MetLife Stadium - palco da final a 19 de julho - deverá custar mais de 100 dólares (cerca 84 euros), contra os habituais 12,90 dólares.
Em contraste, a cidade de Los Angeles garantiu que as tarifas para o SoFi Stadium se manterão inalteradas durante a competição, nos 3,50 dólares (2,97 euros) por viagem de ida e volta.
"É um escândalo. Em competições recentes, o transporte estava incluído ou era oferecido a baixo custo", afirmou à AFP Guillaume Auprêtre, porta-voz do grupo "Irrésistibles Français" - o principal grupo de adeqtos da seleção francesa -, que acusa a FIFA de favorecer os adeptos mais ricos em detrimento dos mais fiéis.
Também a Federação Inglesa e Galesa de Torcedores (FSA) classificou a situação como uma «fraude», lamentando que surja um «novo golpe» a cada dia de preparação para o torneio, que será coorganizado por Estados Unidos, México e Canadá.
A seleção francesa, inserida no Grupo I, disputa dois dos seus três jogos da fase de grupos em Boston e Nova Jérsia. O mesmo cenário aplica-se à Inglaterra (Grupo L), que tem partidas agendadas para estas mesmas cidades.
A governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, já manifestou a sua oposição aos preços "terrivelmente elevados", defendendo que o Mundial deve ser um evento "tão acessível e económico quanto possível".
No mesmo sentido, a congressista de Nova Jérsia, Mikie Sherrill, alertou que o estado não pretende sobrecarregar os contribuintes com os custos de transporte dos adeptos.
Questionada pela AFP, a operadora de transportes de Nova Jérsia não prestou declarações, embora tenha assegurado anteriormente ao The Athletic que ainda não foi tomada uma decisão final.
De acordo com a imprensa norte-americana, a fatura para colocar a rede de transportes a funcionar durante os oito jogos previstos ascende aos 48 milhões de dólares, em grande parte devido ao reforço das medidas de segurança.
Deste montante, Nova Iorque/Nova Jérsia receberam 10,4 milhões de dólares, Massachusetts 8,7 milhões e Los Angeles - que manteve os preços - recebeu 9,6 milhões.
A FIFA, que ainda não se pronunciou, já enfrenta duras críticas devido aos altos preços dos ingressos para as partidas, que podem chegar a vários milhares de dólares na plataforma oficial de venda.
Em março, a Federação Europeia de Adeptos apresentou uma queixa à Comissão Europeia contra a FIFA, devido aos preços "exorbitantes" dos bilhetes para o Mundial de 2026 e aos procedimentos de compra, que consideram "opacos e injustos".
Segundo as organizações, os bilhetes mais baratos para a final começam atualmente nos 4.185 dólares (3.609 euros), o que é "mais de sete vezes superior" ao preço dos bilhetes para o Mundial de 2022 no Catar.
O Mundial'2026, o primeiro com 48 seleções, decorre entre 11 de junho e 19 de julho.
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