A exibidora Nos Lusomundo Cinemas vai deixar de explorar as dez salas de cinema no centro comercial Alma Shopping, em Coimbra, em dezembro deste ano, revelou hoje fonte da empresa à agência Lusa.
A exibidora decidiu não renovar o contrato de exploração com a gestora do Alma Shopping, que terminou em abril de 2025, mas vai prolongar a atividade no centro comercial até dezembro, para "dar mais tempo ao Alma Shopping de encontrar uma alternativa".
O Alma Shopping, em Coimbra, onde funcionam dez salas de cinema, é gerido pela consultora imobiliária CBRE. A agência Lusa pediu mais esclarecimentos à entidade gestora, mas não obteve resposta em tempo útil, nomeadamente sobre data de decisão de fecho de salas e possível desafetação de atividade.
Durante a Assembleia Municipal de Coimbra, a presidente da Câmara, Ana Abrunhosa (PS/Livre/PAN), afirmou hoje que tinha indicação de que as salas de cinema no Alma Shopping iam fechar.
“Fica apenas o [centro comercial] Forum com salas de cinema”, disse a autarca, referindo que o município está disponível para “estimular projetos para convidar os cidadãos para assistir cinema em salas”
À agência Lusa, a exibidora NOS Lusomundo Cinemas - que lidera o mercado nacional de exibição com 196 salas - sublinhou que irá manter a exploração de cinema em Coimbra, “tendo inclusive estabelecido um contrato de médio/longo prazo com a entidade que gere o Fórum Coimbra”, onde funcionam seis salas.
Além dos dois complexos de cinema na cidade, opera ainda no concelho a Casa do Cinema de Coimbra, nas Galerias Avenida, num projeto de exibição de cinema independente, gerido pela Caminhos do Cinema Português e que arrancou em 2021.
Segundo o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), a exibição no Alma Shopping somou 123.334 espectadores em 2025 (com dados atualizados até 01 de setembro desse ano).
Em 2024, tinham sido registados 178.054 espectadores e em 2019, ano de referência por ser anterior à pandemia da covid-19, o cinema no Alma Shopping somou 241.607 espectadores.
No Fórum Shopping, no mesmo período de 2025, as seis salas de cinema exploradas pela NOS contabilizaram 97.364 espectadores. Em 2024, tinham sido emitidos 168.738 bilhetes.
Em 2019, a audiência em sala no Fórum Shopping foi de 209.307 entradas.
O panorama da exibição de cinema comercial dentro de centros comerciais tem em 2026 uma reconfiguração diferente, pelo encerramento das salas Cineplace, alvo de um processo de insolvência, e também de algumas da NOS Lusomundo Cinemas.
Este panorama de fechos levou o governo a decidir criar um grupo de trabalho, cujas conclusões e recomendações foram reveladas no passado dia 10 de abril.
Atualmente há seis distritos sem exibição comercial de cinema e onde a projeção de cinema é assegurada em auditórios ou recintos municipais: Bragança, Guarda, Portalegre, Beja, Leiria, pelo fecho temporário do CinemaCity devido ao mau tempo, e Viana do Castelo, onde o governo autorizou a desafetação das três salas da Cineplace que fecharam.
“Em 2025 foram apresentados pedidos relativos à desafetação de 32 salas de cinema. Em março de 2026, encontram-se registados 12 pedidos adicionais de desafetação”, praticamente todos com decisão pendente por parte do Ministério da Cultura, lê-se no relatório do grupo de trabalho.
A partir das recomendações deixadas pelo grupo de trabalho, a tutela de Margarida Balseiro Lopes decidiu que os municípios e os organismos com responsabilidades na área do cinema, nomeadamente o ICA e a Cinemateca Portuguesa, vão passar a ser envolvidos na avaliação do impacto cultural que a desafetação das salas de cinema tem nos territórios em causa.
Entre as recomendações acolhidas pelo executivo destaca-se também o reforço da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP), sob a alçada da Direção-Geral das Artes, para que possa acolher mais exibição de cinema, e a criação de um programa de formação e capacitação de programadores municipais.
O Governo autorizou ainda a realização de “um estudo aprofundado dos públicos” a desenvolver pelo ICA.
As restantes recomendações do grupo de trabalho serão avaliadas após a divulgação dos resultados deste estudo e em linha com o plano estratégico em curso no ICA.
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