Um homem de 22 anos foi detido pela Polícia Judiciária (PJ), em Arouca, por suspeita da prática de crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual de uma menor de 13 anos.
Em comunicado, a PJ adianta que os factos remontam ao mês de janeiro e tiveram origem num processo de aproximação através das redes sociais, conhecido como “grooming”.
A investigação foi desencadeada após sinalização da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, na sequência de relatos da menor a colegas de escola sobre o contacto com um adulto.
Segundo as autoridades, o suspeito terá iniciado conversas com a vítima no início do ano, mantendo comunicações frequentes durante várias semanas, com o objetivo de ganhar a sua confiança e estabelecer uma relação de proximidade.
Este processo culminou num encontro presencial, ocorrido no final de janeiro, em Arouca, tendo a menor sido conduzida até um parque, onde terão ocorrido os atos abusivos.
No decurso das diligências, a PJ realizou buscas à residência do suspeito, tendo apreendido equipamentos informáticos e procedido à sua detenção.
O detido, sem antecedentes criminais, será presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação. O inquérito é titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Santa Maria da Feira.
O aliciamento online, também designado por grooming em inglês, pode ser definido como um processo de manipulação, geralmente aplicado em cenários em que as vítimas são crianças e/ou jovens menores. Em circunstâncias onde a vítima é maior de idade utilizam-se outras terminologias como catfishing, romance scam, entre outras.
Esta prática inicia-se, por norma, através de uma abordagem não-sexual, com o objetivo de ganhar a confiança da vítima, de maneira a incentivá-la a produzir e partilhar conteúdos íntimos e/ou agendarem um encontro presencial.
Esta prática confere aos agressores a possibilidade de selecionarem a(s) sua(s) vítima(s) com base em caraterísticas específicas, como idade, aparência física, personalidade, entre outras. Adicionalmente, quando uma vítima recusa ou não cede aos pedidos do agressor, este pode desaparecer e reaparecer, utilizando uma nova identidade, testando novas abordagens com a vítima por forma a que esta ceda.
A internet tem facilitado o processo de aliciamento online pela velocidade que esta oferece e pelo número de contactos possíveis. O grooming inicia-se com a criação de um perfil online pelo ofensor, que pode ou não revelar a sua verdadeira identidade, seguido de um primeiro contacto virtual com o menor. Este processo pode durar entre semanas a meses, período necessário para que a criança se sinta confortável na relação com o indivíduo, quer pelo facto de a maioria dos ofensores aliciar várias crianças ao mesmo tempo para garantir que, na eventualidade de alguma se sentir desconfortável e cessar o contacto, o processo seja bem sucedido.
O grooming possibilita que sejam mantidos contactos diários e privados com as crianças, o que seria impossível no mundo real, já que o ofensor, normalmente, não é familiar ou cuidador da criança. Neste sentido, o aliciamento virtual permite que as emoções do menor sejam trabalhadas, por um período de tempo suficiente, até que este se sinta seguro para um encontro na vida real.
fonte: http://internetsegura.pt
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