Procura mundial de carvão deverá crescer 1,2% em 2026, para 8,94 mil milhões de toneladas, segundo a Agência Internacional de Energia.
A procura mundial de carvão deverá crescer 1,2% em 2026, atingindo 8,94 mil milhões de toneladas, numa evolução que a Agência Internacional de Energia (AIE) atribuiu, em parte, ao aumento do preço do gás natural.
O agravamento dos preços do gás foi provocado pelas perturbações no transporte de gás natural liquefeito (GNL) através do Estreito de Ormuz, na sequência do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. A redução dos fluxos de GNL pelo estreito acabou por ter impacto no mercado energético internacional.
Segundo a atualização semestral da AIE sobre o mercado do carvão, publicada esta quinta-feira, 10 de setembro, o aumento do preço do gás está a favorecer uma maior utilização do carvão nos países que dispõem de centrais elétricas alimentadas pelas duas fontes de energia.
A evolução representa uma alteração face às previsões anteriores da agência, sediada em Paris, que apontavam para uma ligeira descida da procura mundial de carvão até ao final de 2026.
O consumo deverá aumentar na Europa, no Japão, na Coreia do Sul e na República Popular da China, entre outros mercados. De acordo com a AIE, este efeito poderá prolongar-se até 2027, embora a evolução do tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz seja determinante.
Caso os fluxos de GNL recuperem e os preços do gás regressem aos níveis anteriores ao conflito, a procura mundial de carvão poderá diminuir no próximo ano. Se o Estreito de Ormuz continuar praticamente fechado ao transporte de cargas de GNL, o consumo de carvão poderá aumentar ainda mais.
Apesar do crescimento da procura, a produção mundial de carvão deverá diminuir em 2026, depois de ter atingido um máximo histórico no ano anterior. Ainda assim, deverá manter-se acima dos 9 mil milhões de toneladas pelo terceiro ano consecutivo.
A principal causa da redução da produção estará relacionada com a República Popular da China, maior produtor mundial de carvão. As inspeções de segurança realizadas após um grave acidente numa mina, ocorrido em maio, contribuíram para uma redução significativa da produção.
A AIE sublinha, contudo, que o aumento do preço do gás não é o único fator responsável pelo crescimento da procura de carvão.
EmpresasPatrimónioNaturezaGastronomia |