A Praia Fluvial da Peneda, em Góis, no distrito de Coimbra, acolheu, na quinta-feira, 24 de setembro, a apresentação pública do LIFE LUDWIGIA, um projeto europeu que pretende estabelecer uma estratégia regional de prevenção, deteção e controlo de espécies de flora aquática invasora na Região Metropolitana de Coimbra.
Com um investimento global de 2,61 milhões de euros, dos quais 1,56 milhões são cofinanciados pelo Programa LIFE da União Europeia, o projeto prevê colocar 671 quilómetros de linhas de água sob gestão permanente durante os próximos cinco anos.
O LIFE LUDWIGIA foi o único projeto português aprovado na convocatória LIFE 2025 na área da Natureza e Biodiversidade. É coordenado pela Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região Metropolitana de Coimbra e envolve seis entidades parceiras: Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Universidade de Coimbra (UC), Universidade Politécnica de Coimbra (UPC) e a entidade espanhola Desarrollo de Estrategias Exteriores.
A principal área de intervenção será o combate às plantas aquáticas invasoras do género Ludwigia, com o objetivo de recuperar habitats e preservar a biodiversidade aquática nos 19 municípios da região.
A Ludwigia integra a Lista Nacional de Espécies Invasoras e caracteriza-se por ser uma planta aquática emergente, com capacidade para se desenvolver nos leitos das linhas de água e nas respetivas margens. Segundo a investigadora Hélia Marchante, da Universidade Politécnica de Coimbra, a espécie apresenta elevada capacidade de infestação e pode provocar impactos nas atividades recreativas, náuticas e económicas.
A presença da Ludwigia já foi confirmada nos concelhos de Arganil, Figueira da Foz, Montemor-o-Velho e Tábua.
Na apresentação realizada em Góis, o presidente da Câmara Municipal, Rui Sampaio, destacou a importância simbólica da realização da sessão na Praia Fluvial da Peneda, sublinhando a ligação do concelho aos seus recursos hídricos e, em particular, ao rio Ceira.
O autarca defendeu uma atuação preventiva, considerando que a ausência da espécie no rio Ceira não deve significar uma menor atenção aos riscos. Rui Sampaio salientou ainda a necessidade de monitorizar os cursos de água e garantir mecanismos de alerta e capacidade de resposta perante eventuais ameaças.
Também a presidente da CIM Região Metropolitana de Coimbra, Helena Teodósio, destacou a importância da cooperação entre municípios e entidades para antecipar e responder aos problemas ambientais, sublinhando o valor dos rios, ribeiras, zonas húmidas e praias fluviais enquanto elementos da identidade regional e património a preservar.
O diretor executivo da CIM Região Metropolitana de Coimbra, Jorge Brito, salientou que o LIFE LUDWIGIA resulta de um trabalho desenvolvido na área ambiental ao longo de quase uma década, destacando igualmente a importância do financiamento comunitário obtido.
O projeto prevê a criação de três equipas territoriais de intervenção, com polos na Lousã, Soure e Tábua, que terão uma atuação permanente. Está igualmente prevista a instalação de unidades de biossegurança e de um viveiro de flora nativa em Montemor-o-Velho.
Entre as ferramentas previstas encontram-se a recolha de ADN ambiental (eDNA) e tecnologias de deteção remota. O projeto estabelece como objetivo reduzir em 90% a expansão da espécie até 2031 e contribuir para o restabelecimento do equilíbrio ecológico das bacias hidrográficas da região.
A sessão pública contou ainda com a participação do diretor regional do ICNF, Paulo Farinha Luís, do administrador da Administração da Região Hidrográfica do Centro (ARH Centro), Nuno Bravo, da investigadora Hélia Marchante, da Universidade Politécnica de Coimbra, e de representantes dos municípios e restantes entidades envolvidas no projeto.
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