Os depósitos dos particulares em Portugal apresentavam, em agosto de 2026, taxas de juro inferiores à média da área do euro nas diferentes modalidades, embora o elevado peso dos depósitos a prazo aproxime a remuneração média nacional da mediana europeia.
De acordo com uma análise divulgada pelo Banco de Portugal, a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo em Portugal situou-se em 1,63% em agosto, abaixo dos 2,18% registados, em média, na área do euro.
A diferença foi de 0,55 pontos percentuais. Entre os países da área do euro, apenas Bulgária, Chipre, Grécia, Eslovénia e Croácia apresentaram taxas inferiores às observadas em Portugal nos novos depósitos a prazo.
Quando são considerados todos os depósitos dos particulares, a diferença mantém-se, embora seja menos acentuada. Em agosto, a taxa de juro média do stock de depósitos a prazo era de 1,11% em Portugal, contra 1,93% na área do euro.
Nos depósitos com pré-aviso, a taxa média era de 0,24% em Portugal, face a 1,28% na área do euro. Nos depósitos à ordem, a remuneração situava-se em 0,04% em Portugal, enquanto a média da área do euro era de 0,29%.
O Banco de Portugal salienta, contudo, que a remuneração global dos depósitos não depende apenas das taxas praticadas em cada modalidade, mas também da forma como as poupanças das famílias estão distribuídas.
Portugal destacava-se, em agosto, pelo peso dos depósitos a prazo, que representavam 55% do total dos depósitos dos particulares. Esta era a proporção mais elevada entre os países da área do euro, onde a média era de 19%.
Em sentido inverso, os depósitos à ordem representavam 43% das aplicações dos particulares em Portugal, abaixo dos 56% registados, em média, na área do euro.
Segundo os dados do Banco de Portugal e do Banco Central Europeu, os depósitos dos particulares representavam 41% do passivo dos bancos em Portugal, praticamente o dobro da média da área do euro, que se situava em 22%. Portugal ocupava a sexta posição entre os países da área do euro com maior peso dos depósitos dos particulares no financiamento da banca.
Considerando o conjunto dos depósitos dos particulares, a taxa de juro média do stock situava-se em 0,63% em Portugal. O valor ficava próximo da mediana da área do euro, de 0,65%, mas permanecia abaixo da média de 0,85%.
Esta posição relativa resulta, em parte, do elevado peso dos depósitos a prazo em Portugal, que tendem a apresentar remunerações superiores às restantes modalidades, explica o Banco de Portugal.
A análise mostra ainda que a subida das taxas de juro iniciada em 2022 se refletiu mais rapidamente nos empréstimos do que nos depósitos. Em Portugal, o ajustamento foi particularmente rápido devido ao peso dos contratos de crédito à habitação com taxa variável indexada às Euribor.
Como consequência, o diferencial entre as taxas de juro dos empréstimos e dos depósitos aumentou, tendo permanecido em agosto de 2026 acima da média da área do euro, apesar da redução registada ao longo de 2025 e nos primeiros meses deste ano.
O Banco de Portugal refere também que, desde 2021, as taxas de juro dos depósitos permaneceram, em geral, abaixo da inflação. Esta evolução significa que, nos últimos cinco anos, a remuneração média dos depósitos não acompanhou a subida dos preços, traduzindo-se numa perda de poder de compra para os particulares.
A análise integra a iniciativa “Números que contam”, do Banco de Portugal, que apresenta informação estatística sobre a economia portuguesa e a sua evolução.
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