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segunda-feira, 18 março 2019 12:12

CEARTE assinala Dia Mundial do Artesão

Por todo o país, irão decorrer diversos eventos relacionados com o Artesanato e os Artesãos. Destacam-se dois - um em Barcelos e outro em Tondela - nos quais o Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património (CEARTE) irá participar.

 

Amanhã, dia 19 de março, comemora-se o Dia Mundial do Artesão em vários países, incluindo Portugal. A efeméride tem a sua origem na celebração do Dia de São José, padroeiro dos artesãos, e que se assinala também no dia 19.

Por todo o país, irão decorrer diversos eventos relacionados com o Artesanato e os Artesãos. Destacam-se dois - um em Barcelos e outro em Tondela - nos quais o Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património (CEARTE) irá participar.

Em Barcelos, terá lugar a conferência “Novos Caminhos e Desafios para as Artes Tradicionais”, organizada pelo Município de Barcelos, no Auditório da Biblioteca Municipal. Esta conferência será uma oportunidade de partilha de informação relevante sobre a atividade artesanal e sobre novas dinâmicas e potencialidades para o setor artesanal ao nível da internacionalização e do turismo. De referir que Barcelos é a única cidade portuguesa que integra a Rede de Cidades Criativas da UNESCO na área do Artesanato e Artes Populares, e das poucas no mundo que aposta neste setor, nas suas produções e nos seus artesãos como estratégia de promoção e valorização territorial.

Já em Tondela, as comemorações começaram logo no dia 15, com debates sobre "Relação Designer/Artesão", “O uso das técnicas tradicionais para criar produtos inovadores" ou "O Burel reinventado", numa iniciativa em que foi possível ainda ouvir o testemunho de alguns artesãos de sucesso.
As comemorações do Dia Mundial do Artesão incluem ainda vários workshops, dedicados ao burel, às artes decorativas e à loiça preta, e a Exposição Coletiva de Artesanato do Concelho de Tondela, patente no Mercado Velho de Tondela, até 29 de março, e que inclui a participação de 12 expositores.

Nesta mostra estão patentes trabalhos de artesãos que se dedicam à cestaria, ao barro preto de Molelos, à talha, à tanoaria, à funilaria, ao linho, entre outros.

 

O Artesanato em Portugal

O artesanato é património e herança cultural do “saber-fazer” português. Transporta consigo a identidade e cultura de um povo, contribuindo para a coesão social e para o desenvolvimento económico do país.

Para além do seu valor cultural, histórico e patrimonial, o artesanato é fonte de rendimento e emprego, mais-valia turística e fator de ligação das populações com os seus territórios.

As atividades artesanais em Portugal constituem hoje alternativas de emprego e profissionalização muito estimulantes, que têm vindo a cativar um número crescente de novos artesãos, quer os mais jovens com qualificações superiores e especializadas no domínio das artes, do design ou da arquitetura; quer aqueles que encontram no artesanato uma oportunidade de reinserção profissional.

Comparativamente com outros países europeus, Portugal tem uma grande diversidade de atividades artesanais pujantes, conhecidas pela identidade cultural mas também pela excelência e pela qualidade técnica.

Contudo, em Portugal não existem dados objetivos de informação económico-financeira relativos ao setor do artesanato, uma vez que não existem Códigos de Atividade Económica (CAE’s) específicos para as atividades artesanais, o que dificulta a análise da importância económica do sector.

 

Um setor que vive tempos especiais

Se por um lado, o Artesanato atravessa atualmente tempos de grande concorrência de produções vindas de outros países, de massificação da oferta em grandes espaços comerciais, de declínio das feiras e eventos do setor, de risco de desaparecimento de algumas atividades artesanais; por outro, vive também tempos de esperança, renovação e afirmação.

Desde logo pelos instrumentos de organização e certificação do setor, como o Estatuto do Artesão, que se encontra em pleno funcionamento e a ter cada vez maior procura, mas também com a qualificação e a formação, hoje disponível em todo o país através do CEARTE, num trabalho de parceria com outras entidades.

Além disso, o Artesanato está cada vez mais na moda, na medida em que associa matérias-primas locais, saber-fazer tradicional e design contemporâneo.

O “boom turístico” que o país atravessa constitui uma oportunidade para os artesãos criarem produtos genuínos e ao mesmo tempo modernos e sofisticados.

Sobretudo em regiões do Interior, o seu contributo para a coesão social e territorial, para a economia e para a fixação de populações é muito relevante. Podemos mesmo afirmar que algumas aldeias (por exemplo, da Serra do Montemuro, da Serra Algarvia, ou do Gerês) estão menos desertificadas devido ao contributo decisivo do setor do Artesanato.

Para a continuidade e modernização do setor, necessitamos de artesãos bem preparados e qualificados, que executem bem, que saibam vender, que dominem línguas para comunicar com os turistas/clientes, que utilizem eficazmente as redes socias, e que sejam também eles agentes ativos do setor e do território. Necessitamos também que as entidades públicas apoiem cada vez mais o setor.

 

Quem é o Artesão atualmente?

Se há trinta anos, o estereótipo do artesão em Portugal poderia ser genericamente caracterizada como um “indivíduo de idade avançada e com baixas habilitações literárias”, hoje em dia, podemos reconhecer o artesão como um profissional cujo perfil etário e habilitacional se assemelha a qualquer indivíduo que integra a população ativa portuguesa, graças ao esforço investido na organização e regulação do setor, da formação de novos profissionais e renovação geracional, do apoio às atividades artesanais e à sua integração nas dinâmicas de valorização dos territórios.

Os dados estatísticos abaixo comprovam estas mudanças e, em particular, o papel do CEARTE na afirmação do setor do Artesanato em Portugal:

 

 Parâmetros

Década de 80

2019

 Habilitações

 Metade dos artesãos portugueses tinha o 4º ano de escolaridade ou menos; só 2% tinham o 11º ano ou mais.

 1% tem o 4º ano, tendo 27% o ensino secundário e 22% formação superior

 Idade

 26% tinham mais de 65 anos e só 16% menos que 35 anos

 70% têm menos que 50 anos

 Tipo de Artesanato

 Artesanato tradicional sem inovação

 Artesanato com design sofisticado, criativo e apelativo

 Apoios

 Não existiam.

 Apoio técnico, apoio à inovação e ao empreendedorismo

 Certificação

 Não existia.

 Cerca de 500 Unidades Produtivas Artesanais com o selo Portugal Sou Eu;

11 produções artesanais certificadas, 3 com caderno de especificações aprovados e 7 em fase de aprovação

 Formação

 Não existia.

 Formação de qualidade em todo o país

 

 

Reconhecimento das Artes e Ofícios

O reconhecimento dos artesãos é feito através do Estatuto do Artesão consubstanciado na Carta de Artesão e na Carta de Unidade Produtiva Artesanal (UPA), um instrumento jurídico de base que enquadra, define e regula o conjunto de atividades económicas associadas às Artes e Ofícios, contribuindo para a dignificação do sector e seus profissionais cuja competência de atribuição é do IEFP, IP que, por sua vez, delegou no CEARTE a tramitação de todo o processo.

O reconhecimento dos produtores artesanais é feito com base no repertório de atividades artesanais que conta atualmente com mais de 180 atividades organizadas em 13 grupos, o que diz bem da amplitude e vitalidade deste setor. No gráfico abaixo encontram-se as UPA’s distribuídas por NUTS II, sendo na região Norte de Lisboa e Vale do Tejo que encontram maior expressividade.

O Registo Nacional do Artesanato, criado no âmbito daquela legislação, integra hoje um total de 2700 UPA’s ativas, a que correspondem mais de 3.000 artesãos portadores da respetiva carta. Este Registo pode ser consultado em www.cearte.pt.

 

  

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