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quinta-feira, 02 julho 2020 08:15

Biomassa de sardinha aumentou 66% entre 2019 e 2020

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A captura de sardinha estava proibida desde 12 de outubro. Os pescadores voltaram a poder capturar sardinha em junho e até 31 de julho, com limites diários e semanais, segundo um despacho publicado em Diário da República.

 

 

Abiomassa reprodutora da sardinha aumentou cerca de 66% entre 2019 e 2020, impulsionada pelo recrutamento de 2019, que atingiu o valor máximo desde 2004, pela redução de capturas e gestão das pescas, informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfeea (IPMA), na quarta-feira, 1 de julho.

De acordo com a avaliação científica, a biomassa reprodutora de sardinha atlanto-ibérica aumentou cerca de 66% entre 2019 e 2020, estimando-se esse valor, para o início de 2020, em 344 mil toneladas, segundo a nota publicada no website do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Conforme explica o instituto, esta subida deve-se, essencialmente, ao recrutamento de 2019, “o mais abundante desde 2004”, à redução das capturas e à gestão da pescaria.

O Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES, na sigla em inglês) avaliou o ‘stock’ ibérico da sardinha no final de junho. O parecer deste conselho científico apontou um conjunto de alternativas de gestão, como o rendimento máximo sustentável e a regra de exploração precaucionária no longo prazo.

Em 2018, os governos de Portugal e Espanha decidiriam gerir a captura de sardinha tendo por base um plano de gestão, que levou, por exemplo, a uma redução de 90% da mortalidade por pesca nos últimos oito anos.

“A recuperação observada assentou em parte na grande redução do esforço de pesca que tem lugar desde 2012 e se acentuou a partir de 2014, e no conjunto de medidas de gestão decididas pelos dois governos”, refere ainda o IPMA.

O instituto disse ainda que, apesar da campanha acústica espanhola de primavera não se ter realizado devido à pandemia de covid-19, o processo pode continuar a decorrer, utilizando a campanha acústica portuguesa e a colaboração dos investigadores do IPMA e do Instituto Espanhol de Oceanografia.

“É importante assinalar o facto de o elevado recrutamento de 2019 ter sido gerado por uma biomassa desovante reduzida. Esta situação não é inédita na história do recurso (ocorreu em 1999-2000) e parece indicar que os fatores ambientais terão sido determinantes no sucesso do recrutamento”, destacou.

O IPMA adiantou também que está a estudar se as condições ambientais podem ser a causa de este ano ser a exceção em relação à década anterior ou se, por outro lado, foi resultado da maior população reprodutora devido à redução das pescas ou ainda uma combinação dos dois fatores.

A captura de sardinha estava proibida desde 12 de outubro. Os pescadores voltaram a poder capturar sardinha em junho e até 31 de julho, com limites diários e semanais, segundo um despacho publicado em Diário da República.

De acordo com o diploma, assinado pelo secretário de Estado das Pescas, José Apolinário, e publicado em 22 de maio, a decisão foi tomada depois de “ponderados os contributos das partes interessadas representadas” na Comissão de Acompanhamento da Sardinha.

Apesar desta autorização, não é permitido, em cada dia, descarregar e/ou colocar à venda sardinha além dos limites definidos para as embarcações, consoante o comprimento de fora a fora, que podem incluir “um máximo de 540 kg [quilogramas] (24 cabazes) de sardinha calibrada como T4, independentemente da existência de outras classes de tamanho”.

Além dos limites diários, por cada semana, não é permitido descarregar e/ou colocar à venda uma quantidade de sardinha superior ao correspondente número de dias de pesca, entendendo-se por dia de pesca cada período de 24 horas.

No ano passado, a pesca da sardinha foi retomada em 3 de junho, também com medidas de gestão e limites de captura definidos, depois de ter estado parada desde meados de setembro de 2018.

 

 

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