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terça-feira, 30 novembro 2021 08:53

População desafiada a fazer rastreio à hepatite C para diagnosticar doença silenciosa

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População desafiada a fazer rastreio à hepatite C para diagnosticar doença silenciosa Foto © ON Centro

“Além de os médicos, por sua iniciativa, pedirem o teste, pensamos que é o momento em que as próprias pessoas podem ter o destino nas suas mãos e solicitarem o pedido, porque é um pedido muito simples, muito acessível, muito barato”, destacou o presidente da SPG.

 

 

Ppresidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), Guilherme Macedo, apelou hoje aos cidadãos para que façam o rastreio à hepatite C, por existirem em Portugal 40 mil pessoas que desconhecem estarem infetadas com a doença silenciosa.

O médico salientou que, além de a análise sanguínea ser “muito simples”, permite identificar se a pessoa teve contacto com o vírus e iniciar o tratamento de um problema que tem cura “em poucas semanas”.

“Além de os médicos, por sua iniciativa, pedirem o teste, pensamos que é o momento em que as próprias pessoas podem ter o destino nas suas mãos e solicitarem o pedido, porque é um pedido muito simples, muito acessível, muito barato”, destacou o presidente da SPG.

Segundo Guilherme Macedo, há muitos infetados que “não têm essa consciência, porque a doença é silenciosa, porque o fígado não se manifesta, só em fases muito tardias da evolução da doença e, portanto, a única forma de tratar a presença do vírus é fazer uma análise”.

De acordo com o presidente da SPG, “a maioria silenciosa” das pessoas está infetada “há muitos anos sem o saber”, por a doença ser de lenta evolução, “embora muitas vezes de forma progressiva e grave”.

“Os peritos estimam que há 40 mil pessoas em Portugal que não sabem que têm infeção pelo vírus da hepatite C”, reforçou o especialista.

Guilherme Macedo acentuou que o contacto com material potencialmente contagiado pode ter acontecido há muitos anos sem que a pessoa saiba que é portadora do vírus, transmitido através do contacto com sangue contaminado, e salientou que a análise sanguínea pode ser prescrita por qualquer médico e o resultado permite agir.

“A análise diz-nos imediatamente se a pessoa teve contacto com o vírus e se poderá ser candidata a tratamento e a curar uma doença que potencialmente tem muitos riscos de evoluir para uma forma crónica e grave, como a cirrose ou até o cancro do fígado”, vincou o clínico.

O presidente da SPG frisou que, embora não exista vacina para a hepatite C, existe terapêutica, “fácil e acessível”, permitindo que “alguém que não sabia que estava doente, e que podia estar gravemente doente, estar completamente curado em poucas semanas”.

Guilherme Macedo referiu tratar-se de uma pandemia, considerada como tal há muitos anos, mas que pode ser eliminada em Portugal até 2030, “uma meta realista” e um objetivo da Organização Mundial da Saúde, “que Portugal se comprometeu a cumprir”, embora o médico entenda não terem sido dados “passos definitivos e decisivos, em tempo útil, para se cumprir esse desígnio”.

O dirigente da SPG enfatizou que, apesar de “muitas vezes os próprios médicos identificarem outras prioridades”, o país tem as condições ideais para ser um dos primeiros a eliminar a hepatite C.

“Portugal, atendendo à sua dimensão, ao número de casos, aos medicamentos de que dispõe e à boa vontade que existe na comunidade médica para atacar este assunto, tem as condições ideais para eliminar a hepatite C”, acentuou Guilherme Macedo.

Para sensibilizar a população para a necessidade de “pegar no problema nas suas mãos e modificar as coisas”, a SPG lançou uma campanha, através de um vídeo com o apresentador Júlio Isidro, a atriz Sara Barros Leitão e o cantor David Fonseca, a desafiar todos os maiores de 18 anos a fazerem o rastreio, a forma de identificar quem está infetado, e encaminhar para o tratamento.

 

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