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Viseu: A Porta que ainda hoje se faz "Soar"

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O desmantelamento terá surgido no século XVI, aquando da ampliação do Paço episcopal. Mais tarde, em 1844, a própria Câmara Municipal ordenou a demolição das antigas portas, recapitulando-se, em Viseu, um processo entendido como modernizante e que caracterizou a actuação de alguns municípios oitocentistas nacionais.

 

 

Variam muito as opiniões acerca das origens das muralhas viseenses, diversidade fomentada pela escassez de informações arqueológicas. Dada a antiguidade da cidade, tem sido consensual a atribuição de um primitivo amuralhamento ao período romano, hipótese confirmada recentemente por escavações arqueológicas realizadas no Largo de Santa Cristina, mas cuja amplitude, dimensão e perímetro se deconhecem.

Também a cerca medieval se apresenta bastante problemática. Tem sido frequente considerar uma estrutura defensiva do burgo na viragem para o século XII, mas, invariavelmente, faltam certezas. O que sabemos é que as muralhas de Viseu datam da Idade Média, mais concretamente do século XV.

No tempo de D. João I, trabalhou-se nas muralhas, mas a informação principal é do reinado de D. Afonso V: em 1472, uma epígrafe associada à Porta do Soar, indica que, nesse ano, o monarca ordenou uma reformulação da estrutura defensiva da cidade, passando esta a integrar as duas cercas antigas existentes.

Desta forma, é possível equacionar duas fases que poderão corresponder a duas épocas da evolução urbana da cidade. É ainda possível que tenham sido o resultado dos primeiros amuralhamentos medievais, cuja eficácia foi testada por D. Fernando e exército castelhano, na segunda metade do século XIV, que por quatro vezes atacou a cidade de Viseu.

O resta hoje destas muralhas data do século XV. Sob o patrocínio da dinastia de Avis, edificou-se uma cerca poligonal, de planta muito irregular (abraçando a própria fisionomia humanizada da cidade), cuja correcta definição das suas linhas está hoje bastante prejudicada pelas múltiplas alterações posteriores. Com efeito, os poucos vestígios que restam são secções isoladas e destituídas de ligações entre si, circunstâncias que impossibilitam a reconstituição do seu traçado.

 

 

Das sete portas primitivas, restam duas; das torres originais quase nada. As fases de destruição da muralha de Viseu estão ainda por esclarecer, dado parecer terem existido obras na época moderna, provado pela lápide de 1646 associada à Porta dos Cavaleiros.

O desmantelamento terá surgido no século XVI, aquando da ampliação do Paço episcopal. Mais tarde, em 1844, a própria Câmara Municipal ordenou a demolição das antigas portas, recapitulando-se, em Viseu, um processo entendido como modernizante e que caracterizou a actuação de alguns municípios oitocentistas nacionais.

A Porta do Soar, ou de São Francisco, é o principal elemento remanescente. De arco ogival e com um pequeno troço adossada, foi o eixo fundamental de circulação da cidade, onde os construtores colocaram a epígrafe que data a construção do reinado de D. Afonso V e um brasão com as armas nacionais. No interior, um pequeno nicho contém ainda uma imagem do santo tutelar da Porta, característica comum às principais entradas das fortalezas tardo-medievais.

A importância e o prestígio deste local fez com que, anexa à porta, séculos mais tarde, se construísse uma das mais interessantes casas civis barrocas de Viseu, o Solar dos Melos, cujo impacto urbanístico e simbólico levou mesmo a que a velha Porta do Soar passasse a ser conhecida como Arco dos Melos.  Fonte: DGPC

 

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